A GESTÃO DO KIMBUNDU
EXISTE UM MODELO DE GESTÃO ANGOLANO?

A primeira vez que ouvi a expressão "gestão do kimbundu", sabia logo que isso não podia significar boa coisa! Confesso que não sei bem de onde ela vem, mas não descreve de certeza, o modelo de gestão angolano. Em suma significa: 'má gestão' ou 'gestão pouco séria'.

Infelizmente é a única referência conhecida do modelo de gestão angolano... e é pejorativa!

Vejamos algumas características dos melhores modelos de gestão pelo mundo:

Germânico: rigor, exactidão, competência, seriedade, clareza

Norueguês: investimento na pessoa, potenciação, participativo, consensual, meritocracia, clareza

Japonês: cultura do trabalho, esforço, hierarquização, rigor, nação (!)

Chinês: trabalho, trabalho, trabalho

Norte-americano: esforço, meritocracia, rigor, clareza

Brasileiro: competitividade, esforço, competência

Árabe: aposta no futuro, investimento na pessoa, absorção de conhecimento estrangeiro e reprodução

Se tivermos em conta que os modelos de gestão são, essencialmente, fruto do desenvolvimento histórico e cultural de uma determinada população, aliado ao modelo económico e sistema político, podemos ter rapidamente um vislumbre da resposta à pergunta introdutória: existe um modelo de gestão angolano?

 A resposta é um não rotundo!

 Porquê? Vejamos a nossa história (já não tão) recente.

Logo após a proclamação da independência, em 1975, enveredamos para um modelo marxista-leninista (tendo o Estado no centro de tudo e o ‘tudo’ era o povo). Logicamente, esse modelo, sustentado pelo sistema político socialista, era um contrassenso em relação aos nossos usos e costumes (para não dizer contra os usos e costumes da raça humana!) e acabou por fracassar! De seguida, anos 90, tentamos seguir o ‘capissialismo’ (capitalismo e socialismo) uma mistura daquilo que tentámos seguir e que não deu certo, e o que queríamos seguir, sem muita certeza. Também não resultou. E, por fim, chegaram os anos 2000, com todas as suas transformações. Resumindo, em quase 45 anos de independência, ‘bebemos’ de vários modelos de gestão: soviético (do bloco todo), cubano, português, brasileiro e mais recentemente, chinês, apenas para citar estes, sem nunca termos criado um modelo nosso, com características próprias!

Em termos de ‘importação de conhecimento’, temos cometido um grande erro: a não retenção do mesmo. Para ser mais claro, se numa instituição, estiverem consultores estrangeiros durante 5 ou 10 anos, quando forem embora, no dia seguinte, a instituição não será capaz de replicar aquilo que (justamente, não) absorveu dessa consultoria. O problema talvez resida no modelo de contratação (mas isso também é outro tema).

Podemos começar a responder a nossa pergunta inicial. Veja dois grupos de palavras mais abaixo:

  1. Rigidez, exigência, seriedade, rigor, pontualidade, prestação de contas, perfeição, meritocracia. 

  2. Flexibilidade, conforto, ponderação, compreensão, atenuação, tolerância (para com o atraso), licença, dispensa, atraso, etc. 

Certamente que ao ler o ponto 1, algumas palavras não foram do seu agrado e as do ponto 2 sim, pareceram-lhe mais ‘amigáveis’. Entretanto, quase todas as palavras do ponto 1 acompanham as caraterísticas dos melhores modelos de gestão e as do ponto 2 já nem tanto.

O modelo de gestão angolano não existe. Mas pode existir? Sim, pode. Como?

Já o temos dito em outras publicações: as instituições do nosso país, durante os próximos anos, não terão a capacidade financeira de outrora para a ‘importação’ de especialistas estrangeiros de todo o tipo e deverão confiar na prata da casa! Então se você é gestor, saiba que essa é – finalmente – sua oportunidade para implementar um modelo de gestão funcional na instituição que dirige ou onde está inserido. Tem as mãos livre para isso. 

Faça o seguinte:

Estude os melhores modelos (faça pesquisas sobre o tema) – e veja o que de positivo pode tirar deles e se pode ser aplicado à nossa realidade

Estude também os piores modelos (incluindo o Kimbundu) – e veja o que de pior tem, e que tem prejudicado ou pode prejudicar a sua instituição

Faça abstracção dos temas e interesses subjectivos – não tenha medo de fazer o certo, somente porque poderá parecer errado aos olhos de quem o nomeou 

Informe a quem o colocou no cargo o que pensa fazer – vendendo sobretudo as vantagens que isso terá para a instituição e para ele

Crie o seu próprio modelo, com base nos pontos 1 e 2

Crie metas e métricas

Implemente!

Logicamente, não seremos pretensiosos para afirmarmos que sabemos como criar o modelo de gestão angolano. Mas há um provérbio que diz: se não sabes como fazer o bem, começa por deixar de fazer o mal”

Se conhecemos os sinais característicos no modelo de gestão que temos aplicado, como gestores, então sabemos que passos devemos dar para fazermos melhor. 

O nosso trabalho é ajudar as organizações e gestores a encontrarem esse caminho. 

Venha você também!

DISRUPÇÃO
Gestão disruptiva